quinta-feira, 21 de junho de 2012

Só nos resta a certeza de que juntos podemos construir o mundo que queremos para nós

A realização da Rio+20 no Brasil tem um significado especial, pois foi na ECO 92 que foi consolidado o termo Desenvolvimento Sustentável. A Eco 92 não trouxe grandes soluções para os problemas ambientais do planeta, mas resultou em vários documentos assinados pelos países participantes contendo os acordos firmados. Desde 1992 aconteceram vários outros encontros em muitos países com a intenção de discutir as diretrizes dos novos tempos. Foram discutidos os direitos da mulher, a desigualdade social e em 1997 em Kyoto, no Japão, foi discutido um dos maiores problemas do planeta, o "efeito estufa". Vários países em desenvolvimento assinaram o "protocolo de Kyoto", como foi chamado o documento final sobre o acordo porém, o problema vem se agravando e tem causado enormes danos ao planeta. Em 2004 ocorreu uma reunião na Argentina para aumentar a pressão para que se estabelecessem metas de redução na emissão de gases por parte dos países em desenvolvimento até 2012. As ações antrópicas (ações do homem) têm agravado esse processo por meio da emissão de gases na atmosfera, e parece longe de ser solucionado, já que exige uma grande mudança de comportamento e a conscientização de todos. Os meios pelos quais a redução de gases será feito não são concretos e caso não haja um retrocesso na emissão de gases esse fenômeno continuará causando vários desastres ecológicos, como os que têm sido visto nos últimos tempos. Temas como, o Tsunami causado pelo aquecimento global, um dos resultados do efeito estufa, e a migração dos habitantes das áreas onde há secas ou inundações, causados pelas mudanças climáticas no planeta, entraram na pauta das discussões da Rio+20. O objetivo da Conferência é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes, como os acima citados.
A expectativa do Brasil na Rio+20 é alcançar soluções realistas, que façam sentido na ótica do desenvolvimento sustentável. Considerada uma oportunidade histórica na definição de caminhos para um mundo mais seguro, mais igual, mais limpo, mais verde e mais próspero para todos.
O Brasil vê a Rio+20 não só como uma conferência sobre o meio ambiente, mais sobre desenvolvimento sustentável, e espera alguns resultados para que isso aconteça no Brasil e no mundo.

Entre os resultados esperados deste evento estão:

- A erradicação da probreza como elemento indispensável para se alcançar o desenvolvimento sustentável;

- Que o desenvolvimento sustentável seja definido como uma prioridade global, tendo a inclusão do seu conceito nos três pilares que o sustentam (econômico, social e ambiental);

- O reconhecimento da reorganização internacional em andamento, com seus reflexos sobre a governança global;

- O fortalecimento do multilateralismo, com a clara mensagem de ajuste das estruturas das Nações Unidas e de outras instituições internacionais ao desafio do desenvolvimento sustentável;

O Governo espera que o equilíbrio entre os três pilares do desenvolvimento sustentável possam ser fortalecidos, com a determinação das áreas onde se deveriam concentrar os esforços nacionais e a cooperação internacional visando o desenvolvimento sustentável, - bem como por meio da definição de um marco de referência de governança internacional para garantir que o conceito de desenvolvimento sustentável seja adequadamente tomado como um paradigma por todas as organizações e agências especializadas do sistema das Nações Unidas.
O tema principal da Rio+20 é a Economia Verde, que discute o modelo econômico atual. A grande pergunta é: como promover o desenvolvimento economicamente responsável, com a natureza e com ser humano? Acho que só há uma saída, ou todos se tornam responsáveis por si mesmos e co-responsáveis pelos outros, na busca da dignidade e do bem-estar, ou todos sofrerão graves consequências por não fazê-lo.
No Humanidade 2012, a C-40 reuniu 59 prefeitos de diversas cidades que discutiram as soluções a serem adotadas em suas cidades para a melhoria do meio ambiente. Por outro lado, a Cúpula dos Povos tem discutido as ações em andamento e a partir daí, pretendem encaminhar um documento à Rio+20, sugerindo os caminhos a serem percorridos para que sejam alcançados os objetivos do evento. Muitos desses caminhos já estão sendo postos em prática, conforme dizem os dirigentes da Cúpula, e só precisam serem ampliados e divulgados.
Em mensagem enviada à Rio+20 a CNBB diz que: " a Conferência carrega consigo a irrenunciável responsabilidade de responder aos anseios e expectativas mundiais em relação à defesa e promoção de toda forma de vida, especialmente a humana, desde sua concepção até seu término natural..."
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB espera que, da Rio+20, brote o compromisso de construção de um “modelo de desenvolvimento alternativo, integral e solidário, baseado em uma ética que inclua a responsabilidade por uma autêntica ecologia natural e humana, que se fundamenta no evangelho da justiça, da solidariedade e do destino universal dos bens e que supere a lógica utilitarista e individualista, que não submete os poderes econômicos e tecnológicos a critérios éticos”.
Sabemos que em qualquer acordo há impasses, mas esperamos que vença a razão e a consciência de que é chegada a hora de salvar o planeta enquanto é tempo... Sabemos também que, por sí só documentos não "fazem nada", é preciso colocar em prática os acordos neles firmados.
Lembrando que é preciso que nós também, cidadãos comuns, façamos a nossa parte. Pois: "se você quer manter limpa a sua cidade, deve começar varrendo diante da sua casa... " e se queremos viver em um mundo melhor, também sabemos o que precisa ser feito. Cada habitante do planeta também é responsável, e se cada um fizer a "sua parte" chegaremos lá, no "mundo em que queremos viver".



Fonte: CNBB

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um carioca ilustre está de volta

A reabertura do Imperator no último fim de semana trouxe para a zona norte do Rio, não só uma casa de shows, mas a lembrança do que era o local nos anos 60. Instalado no coração do Méier, o Imperator funcionou como cinema até 1986 e, na época, era considerado o maior da América Latina. Ficou fechado algum tempo e reabriu em 90 como uma casa de shows e recebeu nomes como Tom Jobim e Tim Maia. Mas em 1995 novamente fechou as portas. Eu posso me lembrar nitidamente do seu último show, pois eu estava presente. Tom Cavalcante anunciou ao final de sua apresentação que a casa iria fechar. Foi com tristeza que todos receberam a notícia.
O espaço voltou revigorado e cheio de novidades, o novo Imperator - agora com o complemento Centro Cultural João Nogueira - reabriu as portas depois de 17 anos fechado, trazendo alegria e diversão para os cariocas. Totalmente repaginado, o espaço conta agora com atrações nos três pisos. O público vai conviver com artes cênicas, música, cinema, artes visuais, convivência e gastronomia. No primeiro andar, há um café, um bar e um teatro com 607 lugares, que conta com cadeiras retráteis, o que possibilita a transformação do espaço em arena para shows com capacidade à cerca de 1500 pessoas em pé. No segundo andar, estão três salas de cinema (duas com 120 lugares e outra com 168) e, no terceiro, a sala de exposições. No terraço, funciona o Espaço Rio de Janeiro, uma área livre onde também foi instalado um restaurante.
O show de reabertura, foi nos dias 15 e 16 de junho, com o sambista Diogo Nogueira, filho do compositor que dá o novo nome para a casa. Finalizando: “A Zona Norte tem hoje um espaço, onde as pessoas, além de conhecerem um pouco da história de João Nogueira, poderão curtir cinema, teatro e exposições. Faltava algo assim no Rio, em especial, na Zona Norte. Estou muito feliz por prestar essa homenagem ao meu pai. O samba, sem dúvida, está em festa” – afirmou Diogo Nogueira.
O próximo show do Imperator será com Cidade Negra nos dias 21 a 23 de junho. A seguir o público poderá conferir a apresentação de Serjão Loroza e Corello DJ (dia 29), e Leo Jaime (dia 30). Todas as apresentações começam às 21 horas e custam R$50,00. 18 anos.

Imperator - Centro Cultural João Nogueira - Rua Dias da Cruz 170, Méier







terça-feira, 19 de junho de 2012

Não basta conhecer os caminhos, é preciso percorrê-los

Estive hoje no Forte de Copacabana para ver a exposição Humanidade 2012. Acredito que nem os organizadores do evento esperavam tanta receptividade do público como tem ocorrido. Logo na estrada pude ver uma grande fila, que ao contrário de me desanimar, mais me instigou à visita.
Mas a fila andou rápida, organizada pelo pessoal de apoio. O espaço é inovador já na sua estrutura, pensada de forma sustentável por Bia Lessa, diretora geral de conteúdo e criação. "... Através dessa construção, o Brasil pretende unir os diferentes povos e colaborar concretamente para a transformação do planeta em que vivemos..." Segundo Bia, "... estamos diante de um limite, onde não há mais espaço ao acúmulo de capital...", "...precisamos nos tornar uma Humanidade. Por isso estamos aquí".   
Tudo foi minuciosamente pensado para que o visitante possa refletir sobre o mundo em que quer viver. A partir da recepção, num espaço chamado de "Territótio Livre", o visitante pode ler fragmentos de um dos textos mais conhecidos do Padre Antônio Vieira, "O Sermão de Santo Antônio aos Peixes". O titulo do Sermão foi retirado do milagre ou lenda que se conta a respeito de Santo Antônio. Este teria sido mal recebido numa pregação em Arimino, mesmo perseguido, ele teria se  dirigido à praia e pregado o sermão aos peixes que o teriam escutado atentamente, contrastando com os homens. O texto pretende fazer uma reflexão sobre os homens, que assim como o padre Antônio Vieira, naquele momento, estava voltado para o mar. Assim começa a exposição, voltada para o mar de Copacabana num visual deslumbrante. A ideia da exposição é mexer com a consciência humana, assim como o sermão (abrir os olhos), e conduzir à reflexão. No nível térreo, algumas espécies de plantas oriundas de diferentes biomas brasileiros estão reunidas em um jardim mostrando a diversidade de nossas florestas.
A exposição conta com diversas salas que mostram de maneira lúdica, interativa e participativa como o homem pode compreender um modelo possível de desenvolvimento que garanta melhores condições de vida, crescimento econômico, inclusão social aliados ao respeito ao meio ambiente. O evento é um convite a toda sociedade, para que essa possa pensar a respeito de um desenvolvimento que leve em consideração os impactos passados, presentes e futuros, respeitando todas as formas de vida no planeta.
Toda a exposição nos convida à reflexão, porém uma sala que me chamou muito a atenção foi a sala "Mundo Dividido". O espaço teve o texto de Celso Furtado como fonte inspiradora: "O desafio que se coloca no umbral do século XXI é nada menos do que mudar o curso da civilização, deslocar o seu eixo da lógica dos meios a serviço da acumulação num curto horizonte de tempo para a lógica dos fins em função do bem-estar social, do exercício da liberdade e da cooperação entre os povos."  
Segundo Paulo Skaf presidente da Fiesp, "O futuro da terra depende das decisões tomadas agora pela humanidade. Os homens conhecem os caminhos corretos. É preciso percorrê-los." 
Ainda dá tempo de conferir a exposição que vai até o dia 22 de junho, no Forte de Copacabana.
Mais informações pelo site: www.humanidade2012.net




segunda-feira, 18 de junho de 2012

As festas juninas já começaram a agitar o Rio


Um dos eventos mais tradicionais do Rio, as festas juninas, já começaram a ganhar as ruas, parques, clubes e estabelecimentos da cidade desde o início do mês de junho. No dia 24 de junho se comemora São João, já no dia 29 se comemora São Pedro. Porém, as festas se estendem pelo mês de julho em vários locais do Rio de Janeiro. Então é hora de aproveitar para se divertir, preparar uma "caipira" nova, formar o par para dançar a quadrilha, pular a fogueira e se deliciar com pé-de-moleque, canjica, quentão e outras comidas típicas. Não deixe de conferir as festas mais animadas da cidade, mas lembre-se: é proibido soltar balões. Com tantas coisas interessantes para fazer, também não vale a pena se arriscar soltando fogos de artifícios.
Vamos cuidar do meio ambiente!
Arraiá do Sapucapeta
Data: 23 de julho
Horário: A partir das 22h
Local: Jockey Club, Gávea
Endereço: Praça Santos Dumont, 31, Gávea
Informações: (21)2512-9988

Festa junina do Grajaú Tênis Clube
Data: 24, 25 e 26 de junho
Horário: Das 16h à meia-noite
Endereço: Avenida Engenheiro Richard, 83 – Grajaú
Atrações: Diversão infantil e show com banda de forró
Informações: (21) 2577-2365

Nos dias 29 e 30 de junho e 1º de julho, acontece o Roça in Rio, a 9ª edição do Arraial da Providência, no Jockey Club, na Gávea. Durante três dias, o público se divertirá à base de muita música, brincadeiras, comidas e bebidas típicas da roça e quadrilha em uma das mais populares e concorridas festas juninas do Rio de Janeiro.
Destaque para o Casamento na Roça, com a participação de celebridades da TV, e também para o tradicional Bingo do Bem, cujos brindes - doados por lojas e marcas conceituadas - compreendem desde jóias até eletrodomésticos.
O Arraial da Providência nasceu com o objetivo de resgatar o espírito de alegria e solidariedade dos cariocas com uma grande festa na Zona Sul, revivendo os bons tempos em que a Feira da Providência - agora no Riocentro - era realizada na Lagoa.
Toda a renda do evento é revertida para os projetos sociais do Banco da Providência - que atua em 104 comunidades de menor IDH no Rio de Janeiro, promovendo oportunidades de geração de renda para mais de 2 mil famílias anualmente.
PROGRAMAÇÃO:
Sexta, dia 29 de junho 
21h - Show com Trio Pé de Serra
Sábado, dia 30 de junho
21h - Forroneja com Sotaque do Nordeste e João Gabriel
Domingo, dia 1º de julho
21h - Trio Potiguá 
INFORMAÇÕES: Tel: 21 3257-2769

Festa Junina do Retiro dos Artistas
Data: 30 de junho; 1,2 e 3 de julho
Horário: De quinta-feira à sábado a partir das 19h e domingo às 17h
Local: Rua Retiro dos Artistas, 571, Jacarepaguá


Tradição x Seca no Nordeste

As festas juninas são festejadas não só no Brasil, mas em várias regiões do mundo. A festa junina foi trazida pelos portugueses ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal). No princípio, a festa era chamada de Joanina, chegando ao Brasil sofreu influência de outras tradições européias. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha. Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas.
Mas a festa junina varia conforme o estado brasileiro. Enquanto na maioria das cidades do Sul e do interior as comemorações ainda guardam um aspecto familiar e religioso, em outras grandes cidades e capitais do país elas refletam a identidade cultural entre os Estados. As festas juninas unem tradição, cultural, histórica, além de resgatar os costumes do campo e dos caipiras.
No Nordeste o mês de junho representa um período de festas e fartura, diversas cidades gabam-se de promover "o maior São João do Brasil e do mundo". Em nove Estados da região nordestina como: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, a festa é aguardada com ansiedade e alegria. Pernambuco, Paraíba, Bahia, Sergipe e Maranhão apostam em megaeventos para atrair turistas de todo o país e a gerar postos de trabalho. Cidades como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), fazem dos festejos juninos um dos principais geradores de emprego e de renda. Juntas, as cidades prevêem a chegada de cerca de 4 milhões de visitantes vindos do interior e de outras partes do Brasil.
Mas este ano, a estiagem prolongada atinge praticamente todo Nordeste que sofre atualmente com a falta de água. Pelo menos 70 cidades do Nodeste do País cancelaram as comemorações das festas juninas devido à seca que atinge a região. Cerca de 800 municípios estão em situação de emergência. Mais de 20 municípios pernambucanos cancelaram suas festividades de São João com objetivo de reverter o dinheiro que seria gasto na festa em ações emergenciais de enfretamento a mais rigorosa estiagem dos últimos 50 anos. A festa foi cancelada em 15 municípios da Paraíba e 13 do Rio Grande do Norte. O evento também foi cancelado em 25 cidades baianas.
Comidas típicas - Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos. Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais. Mais este ano foi diferente, os transtornos da seca puderam ser sentidos no aumento do preço dos alimentos típicos como milho, amendoim e aipim que se elevaram por conta da dificuldade do plantio o que também favoreceu o cancelamento das festas.
De acordo com o Ministério da Integração Nacional, 525 cidades do Nordeste estão em situação de emergência. Parece até que a natureza também entrou no espírito da Rio+20 obrigando o povo a repensar suas ações, como que a pedir socorro por tanta interferência do Homem nos ecossistemas, fazendo-os lembrar que sem água não haverá plantio, nem colheita, nem comidas típicas, nem o necessário para a sobrevivência humana, e muito menos motivos para "festas"...
 

 Vamos repensar nossas ações, vamos salvar o Planeta enquanto é tempo!



sexta-feira, 15 de junho de 2012

"Só sei que nada sei..."

Minha concepção da vida baseia-se no aprendizado constante. Acho uma perda de tempo passar pela existência sem atingir algum "conhecimento" e pelo menos "alguma sabedoria". Por conseqüência, tenho refletido a respeito do que é a "sabedoria".
Sabedoria não é conhecimento acadêmico, já que podemos adquirir conhecimento sem sequer vivermos uma só experiência fora dos livros e das aulas teóricas. Podemos ainda nos tornar cultos sem sairmos da reclusão de uma biblioteca. E embora seja comum que se confunda conhecimento com sabedoria, essas são coisas bem distintas. Enquanto o conhecimento é o somatório das informações que adquirimos, sendo a base daquilo que chamamos de cultura, a sabedoria, por outro lado, é o reflexo da vivência, na prática, quer pela experimentação, quer pela observação, da utilização dos conhecimentos previamente adquiridos. Uma pessoa culta não é necessariamente sábia, mas uma pessoa sábia é relativamente culta em sua área de sabedoria.
Sempre achei que a sabedoria vinha com a idade, mas tenho observado que não é bem assim. Quantas pessoas passam pela vida sem nada aprender, ou melhor, achando que sabem tudo. São os "donos da verdade". Intolerantes, críticos, que sem quererem conhecer outros pontos de vista se intitulam "juizes" do mundo, perdendo assim a oportunidade de aprenderem e vivenciarem novas experiências de vida. São aquelas pessoas que criam "muros" ao invés de "pontes", nunca estão erradas, nunca voltam atrás e muito menos pedem desculpas... Há também pessoas que dizem: “eu sei isso, sei aquilo, sei tudo. Já vivi muito e não tenho mais o que aprender.” Ao contrário, quem tem consciência de que não sabe e está pronto pra aprender sabe muito e quanto mais sabe percebe que mais tem a aprender… Como disse Sócrates: ..."O início da sabedoria é a admissão da própria ignorância. Todo o meu saber consiste em saber que nada sei."
"Só sei que nada sei..." Este é o verdadeiro sábio, aquele que tendo consciência da sua ignorância abre o coração para ouvir, ler, experimentar, ousar, ponderar, amar, respeitar, ver e ouvir a própria vida, enfim aprender.
A ignorância de achar que "sabe tudo", faz com que a pessoa também perca a chance de crescer espiritualmente, já que a sabedoria traz a tolerância, fator primordial para o crescimento do Espírito. Muitas vezes nem a religião consegue trazê-la à tona pois, quantas guerras religiosas temos visto ao longo dos tempos. Enfim, compreender que existem outros "pontos de vista" além do seu, é o início da sabedoria. Eu diria ainda que, para adquirir sabedoria é preciso estar aberto para aprender e estar livre de pré-julgamento ou preconceito, seja qual for. Como alguém pode julgar algo que não conhece bem ou o que não vivenciou? E muitas vezes, mesmo tendo vivenciado uma experiência semelhante, a pessoa não pode julgar o outro e nem querer que as opiniões sejam iguais, porque as pessoas são diferentes, assim como suas visões do mundo. É preciso aceitar que o mundo é cheio de diversidades que, assim como a natureza, compõem a beleza da vida. Com isso, quero dizer que o mundo e as pessoas têm seus encantos por serem justamente como são: com suas diversidades. E a sabedoria está em compreender e aceitar essas diferenças, é algo que está "muito além" do saber acadêmico. Portanto, como diria Paulo Coelho: "... Não existe nada de completamente errado no mundo, mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia".
Pense nisso!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A Carta da Terra, um compromisso global para a sustentabilidade

Há décadas cientistas vêm alertando a humanidade para os riscos provenientes do desrespeito à natureza. Ligado aos temas que afligem o ser humano, o cinema retratrou em inúmeros filmes de ficção os efeitos e os perigos do desrespeito à natureza. Porém, agora não estamos diante de uma ficção, chegou a hora de nos conscientizarmos da necessidade de preservarmos o nosso planeta. A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. Já que alheios a todos os avisos, a humanidade tem sobrecarregado os sistemas ecológicos esquecendo-se de que as fontes necessárias para a sobrevivência no planeta, são finitas. Porém, enquanto uns exploram de forma irresponsável e desordenada os recursos do ecossistema, outros têm se preocupado em preservá-los. Uma iniciativa das Nações Unidas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil, criando em 2000 a "Comissão da Carta da Terra", uma entidade internacional independente, que deu origem à redação da Carta da Terra, que se trata de uma declaração internacional de compromisso, para aprofundar e expandir o diálogo global com o propósito de construir uma comunidade global sustentável. Oferecendo um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável. A legitimidade do documento foi fortalecida pela adesão de mais de 4.500 organizações, incluindo vários organismos governamentais e organizações internacionais. Será que depois de tantos esforços continuaremos agindo de forma irresponsável diante da natureza?

Os Princípios da Carta
Para se atingir uma visão compartilhada de valores básicos que proporcione um fundamento ético à comunidade mundial emergente, a Carta da Terra está estruturada em quatro grandes princípios. Estes princípios são interdependentes e visam a um modo de vida sustentável como padrão comum.

Quais são os princípios:
I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
  1. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
  2. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
  1. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
  2. Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder, vem a
    maior responsabilidade de promover o bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
  1. Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
  2. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a obtenção de uma condição de vida significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações.
  1. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
  2. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo.
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida.
  1. Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
  2. stabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
  3. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.
  4. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que
    causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses
    organismos prejudiciais.
  5. Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.
  6. Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não causem dano ambiental grave.
6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
  1. Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não-conclusivo.
  2. Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental.
  3. Assegurar que as tomadas de decisão considerem as conseqüências cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais das atividades humanas.
  4. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
  5. Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente.
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
  1. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
  2. Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis, como a energia solar e do vento.
  3. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias
    ambientais seguras.
  4. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais.
  5. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
  6. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.
8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido.
  1. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
  2. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
  3. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, permaneçam disponíveis ao domínio público.
III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
  1. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, alocando os recursos nacionais e internacionais demandados.
  2. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria.
  3. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas aspirações.
10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.
  1. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
  2. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas.
  3. Assegurar que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
  4. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais
    atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas
    conseqüências de suas atividades.
11. Afirmar a igualdade e a eqüidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
  1. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
  2. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
  3. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da
    família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
  1. Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
  2. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas com condições de vida sustentáveis.
  3. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu
    papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
  4. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.
IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça.
  1. Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
  2. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessados na tomada de decisões.
  3. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de reunião pacífica, de associação e de oposição.
  4. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais administrativos e independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
  5. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
  6. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.
14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
  1. Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
  2. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
  3. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais.
  4. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável.
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
  1. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento.
  2. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
  3. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.
  1. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
  2. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
  3. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma postura defensiva não-provocativa e converter os recursos militares para propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
  4. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em
    massa.
  5. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz.
  6. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.
  7.  
O CAMINHO ADIANTE
Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida.

O conteúdo dessa carta foi obtido no site oficial: www.cartadaterrabrasil.org/